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02/09/19

Eu não entendia esse lance de fã/ ídolo. Achava legal gostar, admirar, se identificar mas só até a página 2. Cantor, ator, jogador de futebol. Por que idolatrar alguém que nem sabe que você existe?

De repente, comecei aparecer meio sem querer ali naquele mundo fantasioso chamado internet. Não bem eu. Minha arte, meus artesanatos, que são uma porcentagem tão minúscula do que eu sou. Mesmo porque o que sou, não sou. Eu mudo. Me transformo a cada segundo. Surgiram umas pessoas se dizendo minhas fãs. É um pouco estranho. Sei que é muito pequeno. E efêmero. Meus pés estão muito fixos no chão, diga-se de passagem.

Já gostei e gosto de muitos famosos mas nem sei se consigo dizer que sou fã. Não acredito que tenha algum ídolo.

Conheci um poeta. Moderno. Com sucesso na internet. E mais seus amigos. Eles tem um coletivo de artistas. De deleitosos textos. Escrita doce, realista, esperançosa, profunda, melancólica, dramática… Tudo o que me toca na alma. São meio que super bonder de caquinhos de coisas do lado de dentro. E percebi que transpassei aquela tênue linha e virei fã. Por causa do diferencial. Eles são gente comum, gente como a gente. Me vejo muito em cada um deles. Os encontrei pessoalmente algumas vezes. Sempre muito receptivos, solícitos, acessíveis. Fui em um bate papo na primeira vez, teve autógrafos em seus livros, abraços calorosos, toque, presença de corpo e alma. E que almas lindas! Já somo meia dúzia de encontros. De sair com o coração aquecido. Não há nada mais gratificante para um leitor apaixonado do que ter seu exemplar autografado e com dedicatória. Viver no mesmo tempo presente que seu ídolo, ter o mínimo de contato e uma ~mesmo que ilusória~ amizade. É encantador! Reconheço que não consigo o tempo todo ser ajustada e separar o talento que amo neles com o resto do todo que cada um é. Nutro um amor platônico por um deles. Não mereço tal reverberação.

Quando criança, fui em um ou dois shows. Só consigo recordar da sensação ruim de estar em um aglomerado de gente. Muita gente, muito empurra empurra. Abafado, apertado, agonizante. Adolescente fui em mais alguns, pequenos, cristãos, sem grandes lembranças. Casada tive vontade de ir em dois, de artistas famosos, internacionais. Não consegui por diversos motivos. Em um deles, marido foi sem mim, o que rendeu uma boa crise.

Vida passa, muita coisa muda, muita aflora. Introspecção reina. A parte cinéfila toma protagonismo. Ir ao cinema sozinha, melhor passatempo! Eu ia dizer que frequentar lugares cheios me apavora. Sim e não. Cinema está ai para equalizar. Acho que gosto pois estou na multidão, mas permaneço sozinha. Não precisa de interatividade. Tenho pavor de socializar! Não faço novas amizades. Não gosto muito de conversas sem intimidade, papo furado, superficialidades. Tudo me incomoda, as amarras sociais, os trejeitos, os cuidados com as aparências que queremos passar, as podas e os excessos. Grandes encenações. Acho lindo o que somos sozinhos, entre quatro paredes, no travesseiro. Isso que me importa.

Eu tenho uma prima/ amiga/ irmã que é muito parecida comigo. As nossas desculpas são similares, as nossas dores, nossas angústias e nossas fobias. É ótimo marcar as coisas com ela e saber que cancelaremos naturalmente. Compreendemos e validamos os motivos com empatia. Certa vez em uma conversa falamos que só iriamos em um show se fosse nostálgico como um retorno de Sandy e Junior. Alguns meses depois veio o anúncio da turnê. Não acreditamos. Um único que faria a gente se jogar. A loucura dela com a minha se completaram. Foi insano o valor, foi insano conseguir comprar, foi insana a ideia de ir. Sabíamos que seria uma experiência única. Não se repetiria. E nos arrependeríamos caso perdêssemos. O tempo todo uma surtando, apoiando a outra, acalmando, surtando junto, entendendo a crise da outra. Ter quem sente exatamente igual faz toda a diferença.

Chegou o tão aguardado dia. Eu planejei desistir muitas vezes. Minha amada foi minha força! A contagem regressiva dos dias foi tensa. As horas anteriores ao dia foram sofridas. A noite foi em claro. Assisti um filme de terror para entreter aquelas horas. Gostava muito antigamente, agora tenho muito medo. Nem esse muito medo me fazia mudar o pensamento, mudar o foco. A palavra ansiedade é pequena para descrever. Os sintomas da crise são físicos. Dado momento tive uma queda de pressão na fila. Eu sou aquela pessoa que chega nos lugares já observando a saída. Tenho necessidade de planejar uma rota de fuga. Aglomerados me causam náuseas. Na entrada precisei jogar um livro no lixo. Sou muito apegada em livros, foi realmente doloroso não passar com ele na revista.

Foi a primeira vez que entrei em um estádio. Imenso! O palco montado, lindo! O sentimento inexplicável era compartilhado com todos ali. Todos vulneráveis. Na mesma sintonia. Ver lotando, todos os espacinhos sendo preenchidos. Então alguém começa cantar, e todos ao redor continuam, cinco, dez mil pessoas cantando junto. A ola começando aqui e percorrendo todo o estádio. Trinta, quarenta mil pessoas repetindo os gestos e as músicas. O fim daquela tarde de inverno é aquecida por corações pulsando na mesma batida.

O espetáculo inicia. A multidão delira. Quase cinquenta mil fanáticos vão a delírio. Nesse momento já não cabe ali metades. Todos inteiramente entregues. Outrora indaguei que não merecia estar ali. Gostava mas não era enlouquecida por eles. Não sabia todas as letras, não colecionei pastas de arquivos da mídia. Fez parte da minha vida mas não idolatrava. Nessa hora percebi que fã não se mede com a mesma régua. Nem precisa. Nem faz sentido. Me entreguei ao momento. Fui tudo que não sou normalmente. Intensa. Expansiva. Cantei do começo ao fim. Chorei do começo ao fim. Dancei do começo ao fim. Tirei muitas fotos ~que ficaram ruins~ e fiz vários vídeos. Eu tinha dito anteriormente que odiava quem faz isso e não curte o momento. Sim, curti muito o momento e sim, queria registrar para a posteridade. Abria a câmera e curtia sem lembrar dela, tanto que não houve foco nem enquadro, tao pouco arrependimento por isso. Eu que nem de contato físico e nem de desconhecidos sou chegada, estava lá cantando e chorando copiosamente, abraçada com pessoas que tinha acabado de conhecer. Pessoas com a mesma emoção que eu estava sentindo, com a mesma nostalgia, com a mesma euforia. Se eu me contasse depois, eu não me acreditaria. Ainda bem que eu estava lá para me provar! Foram horas inacreditáveis e inesquecíveis. Os artistas que sempre gostei, se tornaram ainda mais maravilhosos. O carisma, a simpatia e o talento são multiplicados infinitamente pessoalmente. A voz da Sandy é uma coisa surreal. O Junior se tornou um astro impecável. E a emoção deles era nítida. Estavam imersos naquela atmosfera fantástica junto conosco. Uma super produção com efeitos, luzes, fogos, bolas e balões. A energia contagiante. Coisa de outro planeta.

Saímos extasiadas. A parceria foi fundamental em todo o processo. Serei eternamente grata! Ter com quem dividir a adrenalina foi essencial. Passamos as horas seguintes em transe. Os dias. Aquele som tocando repetidamente no ouvido. O tom, a pausa, a voz embargada. Tudo milimetricamente gravado na memória. A galera querendo repetir. Eu não. Ainda não superei. Ainda estou digerindo, deleitando. A alma demorou bastante para voltar e sincronizar com o corpo. A emoção foi demais para mim. Não sei se aguento novamente. Minha cota já bateu. Espero que todos possam vivenciar isso com seus ídolos ao menos uma vez na vida. É frenético, intenso e transformador.

A gente é fã de graça! Sem interesse, sem precisar de algo em troca. A gente admira e os quer bem. A gente é grata pela existência dos nossos ídolos. Agora eu entendo e vou muito além da página 2. Tinha simpatia. Agora empatia. Que bom termos exemplos, termos admiração e termos reconhecimento. Para ver a alma transbordar, cada segundo de ansiedade vale a pena. Eu te dou meu coração, você me dá o seu talento. Obrigada universo por tanta troca! A arte salva o mundo!

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DIY Moldura Friends em feltro

Moldura decorativa em feltro inspirada na da série Friends que fica na porta do apartamento enfeitando o olho mágico. Trago três sugestões de uso: só moldura, para colocar foto e também em um quadrinho bastidor.

Inspirem-se!!!

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DIY Capa de caderno gamer em feltro

Capa de caderno do jogo que fiz para meu filho. Também fiz capa da agenda do caçula no mesmo tema. Usei feltro mas a ideia serve para papel, eva, contact… Fiz costuradinho mas dá para fazer com caneta, com tinta ou mesmo com cola tridimensional.

Inspirem-se! (ˆ◡ˆ)♥

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DIY Letrinhas em feltro

Fiz esse varalzinho em feltro e resolvi trazer o passo a passo detalhado de como faço minhas letrinhas. Pode ser uma palavra, um nome ou uma frase completa como a que fiz. Era para decorar um pequeno grupo de oração. Pode ser para decorar seu cantinho ou mesmo para quarto de bebê, criança… Para o que sua imaginação permitir.

Inspirem-se! (ˆ◡ˆ)♥

https://youtu.be/kOaz4j3qp1g

 

 

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Entrego, confio, aceito, agradeço!

Espiritualidade é um assunto complexo. Hoje eu não sei definir minha religião. Quando criança ia em igreja católica, fui batizada bebê e fiz catequese pré adolescente por obrigação. Ia na missa esporadicamente porque sim, não por vontade. Quando jovem me encontrei evangélica. Frequentava com gosto. Me fazia muito bem! Intimamente ainda sigo os preceitos de outrora porém como não sou ativa naquelas rotinas, prefiro não dizer que sou. Me defino como cristã. Apenas. Tenho um conceito sobre Deus e sou super aberta para amplitude das definições de cada um em relação a isso. Se você diz que é um criador eu concordo. Se diz que não existe, concordo. Se diz que é uma energia, concordo. Te incentivo a criar uma relação efetiva com “ele”. Da forma que te fizer bem, está valendo!

Tem uma coisa que sempre acontece comigo, que não sei explicar, não sei definir. Sei que sinto, respeito, obedeço! Não sei quando começou, desde sempre. E sempre!

Em momentos aleatórios. Pode ser no supermercado, no almoço, no cinema, em uma roda de conversa… Vem uma pessoa na minha mente. Como um estalar de dedos. Antes eu tentava ignorar. Em vão. Fica voltando, voltando. Enquanto eu não paro, não me desligo da realidade, isso fica insistindo. Já me acostumei, então no primeiro momento já faço minha pausa. Quando dá para ir em um cantinho, eu vou. Quando não, coloco meu corpinho no modo automático, e saio um minutinho dali. Mentalizo a pessoa, busco me conectar, mesmo não sabendo qual sua necessidade principal naquele instante, com todas as minhas forças busco ajuda, peço clareza em seu olhar, serenidade em seu coração e forças em seus músculos para seguir em frente, enfrentando qualquer obstáculo. Volto, agradeço. Procuro não questionar, senão eu piro.  Sigo minha vida.

Há quase dois anos, meu avô ficou doente. Os primos se comunicavam através de um grupo de mensagens. Quando ele deu uma piorada, fizemos um acordo, de orar juntos por ele, diariamente, cada um de sua casa, mas no mesmo horário. Até coloquei o alarme do celular para me lembrar. E assim fazia. Uns meses depois ele melhorou, o grupo de oração parou. Eu costumo colocar vários alarmes no celular. Para acordar, uns minutos antes de dar hora do filho sair da escola, hora de arrumar o outro filho para a escola, remédios, consultas. Certa época, eram férias escolares. Fomos viajar e desliguei todos os alarmes. Tenho certeza que desliguei porque foi um momento importante de descanso para minha saúde mental! Uns dias depois, tocou o alarme “hora de orar pelo vô”. Achei estranho. Não tinha programado. Ninguém tinha encostado no meu celular para eu por a culpa. Não questionei. Me recolhi e fiz a minha oração. No dia seguinte pela manhã veio a noticia do falecimento.

Semana passada eu tive insônia um dia. Quando eu estava quase pegando no sono, veio na cabeça uma amiga. Amiga de longa data mas que faz tempo que não vejo. Peguei o celular para mandar uma mensagem, abri na conversa, notei que era muito tarde e desisti de enviar. Guardei o celular. Fiz minha oração por ela. Assim que terminei o celular tocou. Duas da manhã. Era meu irmão para falar que a irmã da Priscila se foi.

Eu nunca conversei com a vizinha da frente. Mora ha alguns anos ali. Sei quem é. Só. Há mais ou menos um mês, todos os dias, a Cris vem na minha mente. Há umas semanas perguntei para minha mãe se sabia algo dela. Nada. Há uns dias acordei as 5h e ouvi sua voz. Eu não conheço sua voz. Todos esses momentos orei por ela. Agora soube que ela se separou do marido e se mudou. Queria que ela soubesse que estive junto, em pensamento nesses dias difíceis.

Muitas vezes quando tenho esses insights, não acontece nada. Penso que é só uma proteção extra. Você que está lendo agora, possivelmente já estive contigo em algum momento. Eu não quero explicações. Eu aprendi a seguir meu coração. Já me questionei que poderia fazer algo pra mudar alguma situação. O efeito borboleta certamente viria. Eu não tenho poder de mudar nada. O que me é acessível fazer, faço. Se é para o bem, se não faz mau para ninguém, siga sua intuição você também!

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DIY Porta laços e tiaras em feltro

Porta laços e tiaras feito com feltro. Fiz para uma encomenda e trouxe o passo a passo detalhado para compartilhar. Espero ajudar com as minhas dicas.

Inspirem-se! (ˆ◡ˆ)♥

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DIY Organizadores para penteadeira

Organizadores que fiz para a penteadeira da minha filha. Reutilizando materias (lata, papelão, caixinha) e usando coisas baratinhas como palito de sorvete e papel craft. Fiz potinhos, cestinhas, organizadores e um porta batons. Lá no meu instagram tem fotos dos enfeitinhos que aparecem no vídeo, os vasinhos com tulipas, os cubos com a palavra love e a bandeirinha com as iniciais da minha filha. *Já tem videos no canal dessas artes, pesquise!

Inspirem-se! (ˆ◡ˆ)♥

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Retorno

Primeiramente gostaria de me desculpar pela ausência nesse cantinho que eu tanto amo. Eu fiz algumas poucas postagens apenas de textos, pelo celular, que as ações são limitadas, tenho comentários atrasados para responder e não inclui as artes que andei fazendo. Tenho atualizado bem o instagram. O que aconteceu foi que meu computador pifou no fim do ano passado, não compensava arrumar por causa do custo/ beneficio. Precisei terminar umas parcelas para só agora conseguir comprar um computador novo. Não que tive dinheiro agora, apenas pude começar novas parcelas, que me acompanharão por meses e meses hehe Faz parte! Junto vieram crises internas, bloqueio criativo, nada de novo, sempre os mesmos dilemas… Ai tem a adaptação ao computador novo, programa novo, aprendi tudo na raça, quebrei muito a cabeça, meio ano sem computador, que é uma ferramenta importante nessa `profissão´, e férias escolares dos filhos. Enfim, quero agradecer quem continua me acompanhando e apoiando. Vocês são incríveis comigo! Obrigada!!! E quem está chegando agora, bem vindo!!! Vamos compartilhar conhecimentos e idéias!!! Inspirem-se!!!

Com amor, Alinne

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28/07/19

É fim de mês. Sempre fica mais complicado. A conta bancária vazia. Ainda faltam cinco dias para a fatura do cartão de crédito fechar. Só resta uma única notinha de vinte reais.

No açougue:
– Moço, coloca vinte pra mm de carne moída, por favor.
O açougueiro prepara.
– Deu vinte e um e alguns centavos, pode ser.
– Não, tira um pouquinho porque só tenho vinte certinho.
Ele pegou um punhadinho. O marcador da balança marcou vinte exatamente.
Nossos olhos brilharam e sorriram em uma dança contagiante.
A moça do caixa também sorri com o número e se alegra em não precisar de troco. Ofereceu sacola plástica. Recusei como de costume. Sai com o saquinho de carne, sem mais nada, segurando felizona.
Pensei que se por acaso, minha filha adolescente que esta junto, se sentisse envergonhada. Percebi que não. E me alegrei ainda mais com isso. Infelizmente minha geração demorou para entender sobre sustentabilidade. Felizmente a nova geração vem mais atenta. Estamos muito atrasados, mas há esperança! Meus filhos pequenos são muito conscientes nessa questão.
Puxei na memória que eu desde cedo, mesmo inconscientemente já me preocupava com essas questões. Para o desperdício com o plástico e demais materias de uso único. Tanto que artesanato com reaproveitamento de material sempre foi meu forte, e hoje ainda faço vídeos para compartilhar idéias no youtube.
Já em relação a vergonha, remoi uma coisa que tinha que fazer quando criança. Era “normal” deixar os pequenos irem nas vendinhas sozinhos. Comprar um suco para o almoço, doce ou salgadinho. Eu era muito tímida, ao extremo. Hoje ainda sou mas em um grau menor. Faço muitos exercícios mentais. Meu pai fazia, na maioria das vezes meu irmão, algumas vezes eu, ir buscar pinga no bar. Eu entrava em pânico quando era minha vez. Não existia a opção negar. Ele não falava duas vezes. Tinha que ser imediatamente. Eu não consigo definir o que me era mais pavoroso. Pegar a garrafa. Sair com ela na mão, pela rua. Entrar no bar. Pedir fiado. Voltar com a garrafa cheia. Entregar a garrafa para meu pai. Ainda achava menos pior ele beber em casa do que fora. Ele tinha o costume de voltar bem louco e de longe gritar Lê, Lêra, Lê (de Palmeiras) na rua. Duas quadras e já ouvíamos. O medo paralisante já se instalava. Já sabia o que vinha a seguir. Era como se a alma saísse do corpo e se escondesse em um lugar seguro. Todo dia.
Outro dia, meu vizinho/ amigo/ irmão, comentou como acha bizarro meu medo de faca. Eu não tenho faca em casa. Faca de manteiga. Só. Não consigo pegar em faca. Só de olhar eu me arrepio e volto lá na infância onde meu pai ameaçava seu irmão e a nós também. Era muito assustador. E também um episódio que meu irmão foi pegar um espanador de pó que estava pendurado em um preguinho na parede, e nesse mesmo, tinha uma machadinha. Sim, minha mãe perdurava na parede uma machadinha e um espanador juntos. Era baixinho, no esforço, ambos caíram no chão. A machadinha cortou o dedo do pé e foi um mar de sangue, choro e desespero.
E também não bebo. Nem em festas. Em nenhuma situação. Não sou capaz de encostar nesse – pra mim – veneno. Talvez por medo de achar ali um refúgio e não conseguir nunca sair do vício, como meu pai. Meu primo passou uns dias em casa. Era para eu comprar uma garrafa para ele no mercado. Não tive capacidade. Levei ele comigo. Ele pegou a garrafa. Eu não repudio. Não julgo. Sou conivente.
Outra lembrança que me atormenta é de quando pequena ter que acompanhar minha mãe no telefone público. A gente não tinha em casa. Ela sempre gostou de falar muito ao telefone. Eram fichas, cada ficha valia por três minutos. Ela comprava pacote com dez, o que valia para trinta minutos de conversa. Vários pacotes. Tínhamos que andar muito até a loja que vendia ficha. E depois aguardar ela usar todas suas fichas. Era interminável. Imagine duas crianças tendo que esperar horas quietinhas, sentadinhas no chão, sem nenhum entretenimento. Detesto falar ao telefone. Trauma! Hoje mesmo minha tia disse que elas falam muito pelo telefone porque se identificam, que cada uma ouve as mágoas da outra diariamente para se apoiarem. Eu não tenho irmãs. Pode ser por isso que não compreendo.
Em lembranças duras, ainda tem a agonia que era ter que limpar vidros. Imagino que tinha uns quinhentos. Não fazer bem feito era sinônimo de ter que fazer de novo. Hoje eu não limpo vidros nem que me paguem. O chão, vermelhão, era encerado semanalmente. Eu tinha que dar brilho no pé. Era um ódio sem fim. A casa parecia gigante. E lavar roupas. Tenho alergia ao sabão em pó, isso pouco importava, tinha que esfregar as meias no tanque, as bolhas nos pulsos eram frescura. Hoje só compro meia escura! Mas nada se comparava a raiva que era ter que puxar a água da laje. Se chovia cinco vezes no dia, tinha que ir cinco vezes. Não podia esperar parar de chover definitivo. Precisava fazer o serviço que odiava e ter que ver ele ser em vão com a próxima chuva que vinha em alguns minutos.
E ir na feira ou mercado, não poder pedir nada e voltar com sacolas pesadas. Nunca tivemos carro, sempre na caminhada. O mercado grande que tinha, precisava atravessar um riozinho, em uma ponte de madeira, toda mau feita, sem apoio de mão, com pedaços caindo, balançando. Com as sacolas de compras. Um medo descomunal. Não podia chorar, nem reclamar, nem enrolar. Literalmente era segura nas mãos de Deus, e vai. A feira ia pouco, era luxo. Lembro de quando ia na casa dos tios, via as fruteiras repletas, meus olhos brilhavam. Desejava tanto ter a mesma oportunidade, que quem tem, mau consegue dar valor. Hoje, apesar de ser bem cansativo, eu amo ir na feira. Não o ato de ir na feira, sim ter as coisas da feira em casa regularmente. Procuro não levar as crianças, e quando levo, o máximo que carregam são sacolas de saladas.
A maternagem é uma viagem muito louca, que você não faz ideia se está fazendo as coisas certas. Não sabe quais consequências terão a curto e principalmente a longo prazo. É roleta russa o tempo todo! A gente se esforça para fazer o melhor e não sabe como os filhos vão reagir, como atingirá suas vidas, quais marcas ficarão registradas. É preciso equalizar. Pensar bastante nos objetivos. Neutralizar as paranóias. E o mais importante: confiar no seu instinto! Me pego duvidando de mim rotineiramente e me medico com doses cavalares de auto ajuda. Eu faço o meu melhor! Eu me esforço! Eu me prometo largar a mão de ser trouxa. Eu não consigo devolver na mesma moeda. Porque as minhas ações são o que eu sou e eu consigo sobreviver a ferimentos mas não consigo viver tendo ferido. Meu travesseiro é meu guia! Nos últimos meses, depois de uma briguinha por dinheiro, meu ex tem me criticado constantemente. Passamos meses e meses com ele regozijando. Quando consegui que se fizesse o combinado anteriormente, ele quer tirar a minha paz. Preciso multiplicar a batalha interna anti sabotamento.
Chegando na casa da minha tia, ela falou: Alinne sempre com um livro na mão. Se não tiver um livrinho nem é Alinne. E eu gostei. Achei bacana essa imagem. Gostaria de que essa fosse uma registrada na memória dos meus filhos. Também com questões de sustentabilidade. E com nossas conversas quase que diárias sobre sermos uma equipe, sobre respeito, ajuda, senso coletivo. Com a minha mais velha errei muito mais. Com os pequenos, me esforço em dobro. Estou sempre tentando melhorar. Converso olho no olho. Ouço seus argumentos. Tento ser justa. Respeito suas vontades. Os convido a opinar para tomar decisões sobre coisas que envolvem a todos. Perco a paciência muitas vezes. Peço desculpas. Eu fui criada totalmente sem diálogo. Nunca me sentia “gente”. Nunca ouvi: desculpa, por favor, obrigado. Criticas sim. Sempre. E luto para não repetir o que me doía com os meus tesouros.
Viver dá um trabalho lascado!
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20/04/19


 

O dia foi ontem, dezenove de Abril. Três anos.

O dia foi todo prestando atenção na respiração. Não estava funcionando. Precisava de concentração para o ar fazer o que tem que fazer.

Três anos atrás, uns meses mais, eram meus trinta anos. Trinta anos bateu pesado. Trinta milhões de questões.

O ser ou não ser de Shakespeare migra para o mito de Sísifo e desagua em por que fazemos o que fazemos de Cortella. E as relações interpessoais ganharam destaque nos meus questionamentos recorrentes.

Eu nunca fui popular. Nunca tive muitos amigos. A introspecção sempre minha aliada. Prezo por conexões de almas. Poucos e profundos a muitos e rasos.

Certo dia faleceu um tio do meu então marido. As crianças nas escolas. Passamos a tarde na despedida. Foram horas grudadinhos como ha muito tempo não. Relacionamento enfraquecido. Aquelas horas ~que Deus me perdoe~ foram de recarregar meu estoque de carência afetiva. Não há nada pior do que se sentir sozinha estando acompanhada. Local e situação não favoráveis.

Comecei notar as migalhas que eu estava permitindo implorar receber.

No meu fatídico dezenove de Abril, a dor mais avassaladora chegou. Meu pai se foi. Se foi definitivo. O alcoolismo já tinha levado, picado há tempos. As horas seguintes são infinitas e cruciais. A gente não quer estar ali. A gente precisa estar ali. Ali eu senti o peso da solidão. Eu coadjuvante. Cercada de familiares com a mesma dor que a minha. Algumas menores. Do meu irmão igual. Da minha vó maior. Todos se apoiando, se amando, se fortalecendo. Eu me senti extremamente só. Muitos amigos do meu pai, amigos da minha mãe, amigos do meu irmão. Eu sem nenhum. Meu marido chegou minutos antes do enterro. Minhas redes sociais se encheram de mensagens. Meus braços só receberam carinho de pessoas do meu sangue, que sentiam dores também.

Não quero que ninguém se sinta mau. Falo do que senti. Do que me faltou no momento mais triste da minha vida. Ninguém quer estar ali. A gente não vai porque gosta. Muitas vezes não vai por quem partiu. Sim por quem ficou partido.

Um tempo depois fui novamente. Não exatamente por quem foi. Fui por quem ficou. Meu sangue. Não queria que sentisse jamais o que senti quando foi minha vez. Tinha muitas desculpas. Tempo, distancia, filhos. Só fui!

Depois daquele dezenove de Abril nunca mais fui a mesma. As amizades e amores também. Não adianta colocar tudo no mesmo balaio. Reciprocidade é jóia rara. Continuo dando o meu melhor com todos. Só aprendi classificar amigos, colegas, o que tem que conviver, o que é melhor afastar, o que é só virtual, o que pode sempre contar.

Separei tanto que agora percebo que não tenho nenhuma amizade. Quase nunca fico só. Tenho minha mãe do lado (que mesmo sendo água e óleo, sempre juntas estamos), tenho alguma família (alguns muito ponta firmes, obrigada!), alguns virtuais (que alegram meus dias) e a maternidade que me ocupa toda a vida.

Quase sempre estou sozinha. Aprendi transformar em solitude. E isso é maravilhoso!

Há momentos como esse dia em que a solidão esmaga todos os meus órgãos vitais.

Sou grata por meu ano, há três anos, que me fez enxergar muitas coisas, à duras penas mas necessárias.

As vezes tenho medo de precisar fazer algum procedimento médico e não poder por não ter alguém do lado. Não ter número de emergência dói um pouco. Pode ser por ser. 100% do meu tempo me desdobro pelos meus.

Torcer para esse dia acabar logo.

E voltar para o cotidiano.

Dia a dia.

Dia após dia.

Despedaçando.

E replantando.

Solidão.

Solitude.

Só!

 

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08/03/19

Na música Blue Monday da New Order, na versão do Health, tem uma parada na batida que eu amo. Parece que te da um respiro e te suga com toda surpresa e emoção (mesmo sabendo que ela irá acontecer), cancela aquela sua sequencia caminhando pra frente e te puxa pra trás. Ouça essa música. Escrevi a ouvindo em looping.

É a mesma sensação daquele brinquedo, o boomerang, que tinha no playcenter. Eu amava ir naquilo. Era o que tinha a maior fila e os poucos minutos no carrinho, valiam cada segundo de espera. Dava vontade de sair e voltar pra fila de novo, de novo e de novo. Pra quem não conheceu, era uma montanha russa muito emocionante que ia até o final e de la fazia o caminho novamente só que de costas. Maravilhoso!
Quando eu tinha 20 anos, já tinha uma filha, já era mãe solo, já tinha “casado” e já tinha separado. Morava sozinha com minha pequenininha. A gente era muito parceira.
A parte de deixar ela ir aos finais de semana pra casa do pai era insano pra mim. Eu saia do trabalho ao meio dia no sábado. Sempre inventava um lugar pra ir, distrair, mudar o foco. Eu ia no playcenter sozinha. Ao menos uma vez por mês. Ali eu extravasava fazendo algo que gostava, podia chorar, gritar, me emocionar o quanto precisasse.
Hoje levando minha menina, agora com 15 anos, na rodoviária, passamos boas horas juntas, só nós como era antigamente, sem irmão, sem padrasto, sem vó. A gente foi de trem, como fazia antigamente (tem o trem e o metro, quando estou sozinha prefiro o trem que é mais rápido, porém anda mais e sempre lotado, caminho todo em pé). Eu contando pra ela as altas aventuras que já vivemos ali, os passeios, os apertos. Engraçado que cresce e meio que esquece. Depois esperando o horário do embarque, sentamos no chão e ficamos horas conversando. Ela disse que agora eu estou legal. Que a gente até pareceu amiga. O ônibus partiu e então eu comecei refletir.
Mês passado ela voltou para casa. Passou 20 meses morando com os avós paternos no interior. Foi para ficar com o pai. Tem coisa que nunca muda… Os quase 400km não permitia muitas visitas. E nessas, as despedidas eram cada uma, um martírio horroroso. A alma saia, e meu corpo cumpria a obrigação de forma automática. Permanecia firme, de pé, quase sereno até o momento do ônibus sair. Percorria toda a rua até perder de vista e então os olhos fechavam e o corpo desabava. Demorava uns momentos até me recompor e seguir de volta para casa, também no automático até que conseguisse voltar a respirar no compasso necessário.
Esse tempo longe por mais dilacerador que me foi, trouxe bons aprendizados. Para mim e para ela.
Eu poderia dizer que nos distanciamos por inúmeros motivos. Dar dezenas de desculpas. É muito fácil rotular como fase. Por a culpa na adolescência. Ou mesmo na pane emocional derivada de psiques mutantes, nunca tratadas e acumuladas.
Ha finais que não são de fato o fim. Só existe um que de fato é. Aquele que tememos por não saber o que acontece depois. A fé de cada um que determina. O que sabemos mesmo é que finda ali. Para todos os outros finais temos recomeços. Muitas vezes parecem definitivos, tira o ar, tira o chão, tira sua sanidade. A gente precisa acolher o momento. Viver intensamente, mesmo esses fins. Analisar nossas trajetórias, respirar e recomeçar quantas vezes for preciso. No boomerang, com tudo indo para o lado errado. Ou na vida sem nenhum norte. As vezes pode parecer só mais do mesmo. Mas não é. O eu de hoje é maior que o de ontem e menor do que o de amanhã.
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Avental de garrafa natalino {DIY}

Como fazer um avental de garrafa para decorar a mesa natalina. Esse avental de garrafa feito com feltro é bem simples e deixa sua decoração super charmosa. Faça o seu avental também! {DIY}

OBS: Estou sem meu computador e impressora.

Improvisei essa foto do molde.

Está bem fácil de reproduzir.

Nessa outra postagem tem os outros moldes natalinos http://www.alinnemarques.com.br/?p=4337

Inspirem-se!

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Meia Natalina Decorativa {DIY}

Meia natalina decorativa em feltro. Personalizadas.
Mostrei a meia natalina com presentinhos.
Você pode personalizar sua meia natalina com a árvore de corações. com a carinha do papai noel ou como você preferir.Inspirem-se!!!