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Resiliência, por que me abandonastes?

Eu sempre fui uma pessoa good vibes, tudo bem, tudo bom, é fase, vai passar, logo passa, ta passando, vai melhorar! Eu acredito mesmo que nas adversidades ganhamos muito mais do que perdemos, amadurecemos, evoluímos! Foco nas coisas básicas e boas. Mudo os óculos quando vejo tudo borrado. Que primeiro fica ruim pra depois ficar bom. 

Dessa vez está diferente…

Eu sei que existem infinitas coisas em que deveria me alegrar, eu as enumero, eu agradeço a Deus. 

Mas. 

Ah, tem o mas.

Tão pesado!

O luto pela morte da reciprocidade, do respeito, da amizade, do amor… Não passa. Não diminui de doer. Não alivia.

A vida é uma eterna metamorfose e o que fui ontem já não sou mais hoje. Fui feliz, fui invisível, fui amor, fui em vão! 

Sou toda útero.

Preciso de colo.

Anseio renascer.

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2016. Falta muito pra acabar?

Eu gostaria de dizer que passou uma ventania, uma tempestade, um furacão na minha vida. Mas não posso dizer que passou. Digo que está parado ainda em cima da minha cabeça. E fazendo muito barulho, muita bagunça!Os últimos meses tem sido de profundas batalhas.

Não sei como uma pessoa consegue sobreviver a perda de um pai.

Não sei como uma pessoa consegue sobreviver a uma decepção amorosa.

Não sei como uma pessoa consegue sobreviver a uma mudança de casa sozinha.

Não sei como uma pessoa consegue sobreviver a uma reforma na casa. 

Não sei como estou viva perdendo meu pai, perdendo um amor, mudando de casa e lidando com uma reforma. 

Estou viva? Parece que sim! Inteira? Ah, dai já é querer demais!

Minha vida está em caixas empilhadas e móveis desmontados sob paredes sendo arrumadas e chãos empoeirados de grandes trabalhos braçais pesados. 

Escolas novas pros 3 filhos, adaptações, os proteger e fazer de conta que tudo flui naturalmente não os deixando enxergar o quão duro tudo está sendo para mim. Uma grande casca que o corpo em piloto automático faz cumprir a maternidade com lágrimas escondidas e sorriso no rosto. 

A bagunça de fora, aquela visível a todos, a falta de rotina. São nada comparadas ao que anda devastado por dentro. 

Levanta e cai, levanta e cai, cai, cai. Levanta. Respira. Não respira.

Mágoa, desprezo, humilhação. Oi, tudo bem, vocês vem sempre por aqui!? Podem ir embora! 

A dor passou a ser física. Trouxe doença. Depressão. Flerte com o suicídio.

Passou. Não passou. Passou! 

Amor próprio, senta aqui, toma um café comigo. Por que já vai tão cedo? Oi lindo, que bom que voltou! Tchau! Oi! Mora aqui! 

Vai passar! Vai passar! Não consigo respirar! Tá passando! Vai passar! Vai passar! Vai passar!

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Nota para mim mesma. Praticar!

Sabe aquele lance quando a gente é jovem de abrir a geladeira pra ver se acha algo gostoso mesmo sabendo que não encontrará nada!?

Depois que vira realmente gente grande, a gente faz com a conta bancária. Entra lá as vezes pra ver se aconteceu um milagre…

E não ha nada com mais eficácia nessa vida do que uma reforma na casa pra sentir na pele que não temos controle sobre o tempo. Não mesmo!!!

Tudo tem o seu tempo certo. E não podemos mudar isso. Temos que aceitar e nos conformar que mesmo com ele em nossas mãos, não podemos dominar.

E o que faz com a ansiedade? Ou você mata ela, ou ela te mata! Vamos buscar o equilíbrio!

Inquietude no coração causa cegueira e se não enxergamos, damos com a cara na parede.

Respirar. Se acalmar. E esperar o rio seguir seu curso normalmente. Positividade!

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80 mil obrigadas! <3

Oi gente linda!
 
Hoje o canal do youtube completou 80 mil inscritos. Ebaaa!!
Gostaria de agradecer a cada um de vocês que me acompanha.
Obrigada!!!
80.000 obrigadas!
80.000 beijos!
80.000 abraços!
Gostaria que pudessem sentir meu carinho e minha gratidão!
Como contei nos últimos videos, estou vivendo um ano intenso. Primeiro a morte do meu pai que abalou minhas estruturas, depois fiquei desmotivada com os vídeos, só enxergava os pontos pesados e cheguei fazer uma pausa de dois meses… O Google segurou minha mão e pude voltar com o que tanto amo fazer. Aos poucos mas estou conseguindo manter e isso me faz muito bem. Agora estou vivendo uma fase de separação, mudança de casa, uma obra e férias escolares da criançada. Até aqui estou firme! Só que como é de imaginar, minhas coisas estão em caixas e precisarei de um tempo para organizar a nova casa e a vida.
Essa semana preparei dois vídeos. Um extra que entra amanhã e um na quarta. Esse é sugestão para o dia dos pais. Espero que gostem! Façam e me contem! hehe
Vou tentar não sumir, mas se me ausentar, por favor, me esperem que volto!
 
Obrigada! Obrigada! Obrigada! <3
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E mais um ciclo se encerrou!

Depois de um desamor, um tempo de reencontro comigo e a descrença no amor, me surgiu um principe. Uma alma boa que me fez acreditar que sim eu era digna da felicidade.

Foram três doces e deliciosos anos de namoro, de amorzinho, dengos e carinhos. Promessas de um pra sempre juntinhos.

Depois o casamento. Seis anos de… De… De… Desencontros.

Tenho grande convicção que não foi facil para ele. Não é facil mesmo! Mas a gente casa para ser um. Para enfrentar tudo JUNTO.

Toda historia tem três lados. O meu, o seu e o real. Aqui falo do meu! Com licencinha…

Eu sempre me entreguei. Fiz das tripas coração para dar certo. Para dar certo para todos. Nunca exigi coisas caras, regalias, excessos, vaidades… Abri mão de muita coisa. De muita coisa importante pra mim. De profissão, de estudo, de ser gente… Assumi o papel de mãe, esposa, do lar, submissa (mesmo nunca tendo sonhado com isso um dia!). Depender financeiramente é insano!

O preço é muito alto mas quando se tem respaldo, amor, compreensão, companheirismo… É possível sim encarar!

Quando o parceiro não mais te deixa fazer parte de suas conquistas, não te inclui em sua jornada e lhe deixa com migalhas… Aaaaah, a coisa desanda!

Tentei! Lutei!

Uma, duas, dez, centenas de vezes.

E quando cheguei no meu limite… Tentei, lutei, mais uma, mais duas, mais dez, mais centenas de vezes!

Chegou o tempo que me senti tão invisivel que comecei deixar de existir.

Os dias ruins superaram os dias bons. Levantar da cama se tornou um fardo muito pesado para encarar diariamente. E quando a saude começou desandar… Um lapso de sanidade tocou o alarme. Tem coisa errada ai dona Alinne! Você não pode enterrar seu eu tão profundamente assim. Aquela saudadezinha que sentia de mim bem de vez enquando, já nem aparecia mais, já nem sabia mais quem era, quem fui.

Saudades agora era daquele casal que fomos, saudades de namorar, saudades do meu amorzinho.

Então o tanto faz surgiu. E ele é meio irreversivel não é!?

Vamos lutar mais!

Posso até não saber exatamente o que quero da vida. Mas sei muito bem o que não quero!

Chegou o dia do basta.

Quero mudar, quero melhorar!

Ou soma, ou some!

E o veredito, sem exitar, foi o some.

Sim, o some. Aquele que nem imaginava que pudesse ser cogitado. Sem eira nem beira. Simples e devastador.

Todo o chão que meus pés conheciam, desapareceram instantaneamente.

Desabei e no fundo do fundo do fundo do poço enlouquecidamente habitei.

Foram dias sombrios, sem sentido, sem visão. Com coração dilacerado. Dias de dor, dias de esperança, dias de -esqueço tudo e vamos começar de novo-, dias de caos, dias de ver que o tanto faz se fez do lado de la primeiro, que ali não havia vontade de lutar.

Luto vivido, sofrido e depois vencido. Precisava disso. Fez escadinha para conseguir enfim me reerguer. Viver!

Amor próprio. Vou lutar por ti. Fica comigo!

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Todo dia…

E todo dia a mesma ladainha.

Desde que levanto o anjinho me manda ir logo na academia cumprir a meta do dia e o capetinha manda enrolar mais um pouquinho (já me bastava os do docinho, mais esse agora). Fica nesse impasse e o dia passa, surgem outras prioridades, outras preguiças, outras mil desculpas. Chega cansar ter que arrumar tanta desculpa. E tanta resposta para tantas desculpas. Tem dia que vou logo mesmo porque estou sem saco pro meu próprio mimimi.

Então me arrasto e vou. Programo fazer o treio completo, mudo pra metade, mudo só pra um aerobicozinho de leve. Encontro desculpa no ar, no sol, no mar, na galaxia, na quantidade de gente, no aparelho ocupado, na vergonha de estar naquele lugar cheio de gente diferente de mim, medo daquele tanto de espelho, levo susto quando por acaso olho pra um e me vejo, e quando vejo alguém olhando pra mim, penso que estão me pondo defeito, rindo, estranhando… Me convenço que não devo nada pra ninguém. Me faço acreditar que está tudo bem.

Ainda aumento gradativamente a intensidade, aprendi respeitar meus limites. Na corrida ainda prometo que nunca mais farei porque aquilo não é de gente, sai fora, cansa muito, dói diferente. Quando vejo, já estou la correndo de novo… Está na ficha, eu tento!  Sei que o cansaço passa, que a dor passa, que depois que começo, tudo vale a pena.

O importante é ir. Depois que começou vai no embalo! Depois que terminou sempre, sempre vale a pena!

É um processo interno, uma luta diária e o melhor, é para uma vitória íntima, só eu e eu, só devo a mim, só eu sei verdadeiramente meu potencial e só eu posso me dar esse presente. Diariamente. Ou quantos dias eu puder. E que bom que eu consigo! Nem sempre, mas estou tentando.

Todo dia!

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Assuntos mal resolvidos

Hoje cedinho, como de costume, sentei na escada com meu pequeno no colo esperando o transporte escolar. Esses minutinhos são mágicos, só nós dois ali, agarradinhos, ele sempre encosta a cabecinha no meu peito. Nosso infinito particular, onde não precisamos de palavras, de nada, absolutamente nada. É de graça, intimo, totalmente nosso! 

Pensei ali que talvez a batida do meu coração que o fizesse acalmar e nos trazer tanta ternura.

Lembrei que era exatamente isso que eu gostava de fazer com meu pai, nos raros momentos que passavamos juntos sem euforia, encostar no seu peito e ouvir seu coração bater. 

Dias, meses, anos, eu puxei na lembrança algum momento em que fomos felizes. 

Hoje lembrei!

E fiquei muito feliz com essa doce lembrança! 

Pouco depois veio a noticia que seu coração parou. Uma vida toda de assuntos mal resolvidos, de conversas não ditas, de abraços não dados, de choros sentidos…

Hoje você se foi. E o abismo que existia entre nós é grão de areia comparado ao buraco que restou aqui dentro. 

Não sou hipócrita mas sou humana! Te amo pai! Sempre amei e sempre vou amar! Descanse em paz! ♥️

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Até breve!

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Oiii, tudo bem com vocês!? hihi

Pra quem conhece meu canal do youtube e acompanha meus vídeos, já está acostumado com essa introdução.

Já falei anteriormente mas vou resumir aqui de novo.

(Pular o próximo parágrafo caso não tenha paciência para textão!)

Em 2012 eu parei de trabalhar fora para me dedicar aos meus filhos. Ai descobri o origami, transformar papel em arte. Me encantei tanto que queria fazer mil coisas. Só que muitas vezes eu esquecia do passo a passo. Resolvi então fazer videos bem caseiros para meu próprio uso, pra relembrar quando necessário. Gravava com o celular mesmo, nem era smartphone, as vezes com o tablet, tudo sem nenhuma qualidade. Tinha uma conta no youtube e resolvi os armazenar por ali pela praticidade. Depois de uns meses, vi que várias pessoas assistiam também e até começaram comentar. Era um mundo novo para mim. Fiquei espantada e feliz. Em 2013 preparando o enxoval do meu outro filho que ia nascer, resolvi gavar mais vídeos variados, outros artesanatos além dos origamis. Não esperava que pudesse alcançar tantas pessoas, queria mesmo compartilhar meus conhecimentos para que fosse útil a quem interessar. Em 2014 comecei a me dedicar mais aos vídeos. Passei a ter uma certa frequência, postagens regulares, dar mais atenção a essa rede. Descobri que tinha como gerar receita, pesquisei muito sobre o assunto, porém não se fala disso claramente. Eu totalmente leiga fui me arriscando. No ano passado entrei em uma rede. Pelo que entendi, todo canal tem uma rede, essa rede ajuda com dúvidas, com divulgação e suporte. Escolhi bastante, li, li,li, parecia tudo grego, me joguei em uma apenas por dizer ter suporte em português, achei que facilitaria meu contato… Foi a pior coisa! Pior experiência não poderia ter. Essa rede fica com uma porcentagem dos meus ganhos, que não são lá essas coisas, mas pra quem tinha zero, ter um já é algo não é mesmo!? Eles não me ajudam em nada, tem um péssimo relacionamento, daquelas empresas que não respondem sabe? Em Março fiz um contrato de 1 ano. Como não me agregaram nada, em Outubro eu comecei pedir pra sair. O que estava ruim ficou pior. Os ganhos despencaram mesmo com os números de acessos e inscritos crescendo. No contrato diz que se no final do período não houver pedido para sair, seria renovado automaticamente. O período acabou mas a dor de cabeça não. Pedi, pedi e pedi mais dezenas de vezes. Não consigo sair, não consigo um contato descente. Estou presa a eles. Não sei como resolver, vou tentar agora judicialmente. Não sei se vai dar certo…

Junto a esse problema com a rede, ando desmotivada pois faço tudo sozinha e é realmente muito difícil lidar com todos esses departamentos. hehe Eu elaboro, crio, desenvolvo, testo, faço os cronogramas, preparo, gravo, fotografo,edito, programo, respondo, alimento o blog e a página… Enfim, são muitas fases. Naturalmente procuro sempre melhorar, me preocupo com a qualidade, quero melhorar luz, audio, cenário… É preciso investimento. Além de toda dedicação que tenho de sobra pois amo o que faço, preciso do financeiro (todos precisamos), almejo comprar uma câmera profissional ou semi, qualquer uma melhorzinha que a que tenho, simples, nem é destinada ao uso que faço, até um certo tempo supria minha necessidade, agora querendo crescer, já não supre mais… Vivo como no filme da Disney, aquele Up, altas aventuras, junto um pouco, tenho que quebrar o potinho, junto mais, surge outra prioridade.

Assim sendo, neste momento, decidi suspender meus trabalhos nesse ramo. Youtube ficará paradinho. Vou continuar tentando me livrar da rede. E pretendo acalmar a cabeça. Imagino que parar de produzir conteúdo por um tempo me ajudará a organizar as coisas aqui dentro.

Meus olhos comuns (com visão limitada) dizem ADEUS porém meu coração (insistentemente esperançoso) diz ATÉ BREVE!

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17/02/16

Hoje cedo, as 06:45h entreguei meu caçula para tia da perua da escola. Entrei para acordar o outro filhos e prepará-lo para aula também, então ouvimos gritos de socorro. Uma moça foi assaltada na esquina de casa, moro na segunda casa da rua, logo, quase na minha porta. Um minuto após eu ter saído dela. É realmente lamentável, sinto muito por ela! E não posso deixar de ser grata pelo livramento. 

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Educando a mente diariamente

Pretendia escrever esse texto bem antes e protelei dúzias de vezes. Hoje foi o dia do regresso, então estou escrevendo da bike mesmo. Ah, é sobre academia. Sobre a obesa que começa atividade física, sobre um extra terrestre no mundo fitness. 
Se você é rato de academia ou se familiariza com ela, recomendo a não leitura. Pode te causar náusea. 

Eu nunca fui atleta! Nunca gostei de me exercitar! Nunca me alimentei saudavelmente. 

Na escola era aquela que não participava da aula de educação física, que ficava de canto e que quando era obrigada jogar, arruinava o time. Boa parte da culpa era da timidez e da introspecção. A nota bimestral era sempre C, não menos por piedade dos professores e pelas benditas provas teóricas que eu amava! 

Lá por volta dos 15 anos fiz alguns meses de capoeira. Só! Esse foi todo meu histórico de exercícios a vida toda. 

Ano passado completei 30 anos. Pesou! Aquilo tudo que a gente ouve e não liga bateu na porta. Das dores musculares, da falta de disposição, da progressiva dificuldade em perder peso…

Eu era uma jovem magra, daquelas que quando senta, fica puxando a gordura da barriga (a pele na verdade, só agora percebo), pra achar um mínimo motivo pra arruinar a autoestima por não ter corpinho de Barbie. Hoje penso que de tanto dizer que era gorda naquela época, a vida resolveu me dar motivos pra me achar gorda com razão. 

Minha primeira gestação, aos 17, engordei 14kg e logo em seguida emagreci 15kg. Permaneci com 47kg mais um tempo. Imagino que com a rotina bagunçada, por fora e por dentro, houve um ganho de peso em um curto período que foi crucial. Dai aos 25 anos veio a segunda gestação e ali ja estava bem fora do rumo. Mais 16kg acumulados e não eliminados. Depois disso, só depois disso me veio o alerta. Nunca tinha feito dietas. Foi difícil mas engatei uma reeducação alimentar. Perdi 4kg em 100 dias ficando com 76kg. Ai chegou a terceira gestação e acrescentou 14kg na conta. Cheguei a 90kg. Uauuu! Passado o puerpuro e a amamentação, foram embora 10kg. Legal. Um ano depois, lembrei de cuidar de mim. Vi lá na balança (que eu não subia por medo, pânico, pavor!), que aumentou 8kg em um ano. Sim, 8kg em um ano. 

Só ai cai em mim de verdade. 

Parece muita besteira falar isso, é vergonhoso. Eu tinha muito preconceito quanto à academia! Eu não queria ser daquelas pessoas bitoladas que chamam comida gostosa de jaca, que classificam comida por proteína e carboidrato. Não compreendo. Gente, fala arroz, fala macarrão. Parece aquelas pessoas que chamam o celular da maçã de iphone. Uai, o meu tem maçã mas eu chamo de celular. Pra mim é isso que ele é. Pensava que teria que ser amiga daquelas pessoas que se olham no espelho o tempo todo, que acordam cedo no domingo pra correr e que o máximo que saem pra comer é açai (que por sinal adoro, mas não sem complementos). Imaginava que teria que usar aquelas roupas justas o tempo todo e parecer que sai do salão de beleza com o cabelo impecável depois de uma hora de suor intenso. E ouvir só música alta e daquele mesmo estilo “de academia”.

Não! Tudo mito!

Eu levo minha própria música, ela me estimula, eu viajo nelas. A maioria das vezes ouço músicas cristãs e me envolvo em reflexão e oração. É muito gostoso!

Eu fico suando horrores, me descabelo, fico com o rosto vermelho parecendo um pimentão (um tomate vai, mais redondinho, me representa melhor!), uso minhas leggings, minhas blusas de malha super confortáveis e larguinhas. Continuo comendo arroz e macarrão, a diferença é a quantidade e a qualidade mas não me privo do que gosto. Estou adaptando e não abolindo. Fujo menos do espelho. E até tenho uma vontadinha de um dia começar correr. 

Após decidir que iria começar frequentar academia veio outro processo interno. Coragem. Sai de casa umas 10 vezes para ir fazer a matricula e voltei sem realizar. Parava na porta e não entrava. Passava sem parar e dava a volta no quarteirão. Foi bem difícil. Coisa de doido, não da pra explicar. 

Enfim consegui! Foi assustador! No primeiro dia achei que a professora me odiava e ria de mim pelas costas. Nunca tinha pisado na academia e ela me coloca na esteira por 20 minutos. Quando sai só queria ter um banquinho pra descansar. Ela me colocou na bike por mais 20. Morri de novo, não sentia mais as pernas e ela me mandou pro transport. Agora chega ser engraçado mas no dia… Aaaah, tinha certeza que aquilo era invenção do maligno. Me arrastei até em casa e desfaleci no chão mesmo, nem deu tempo de chegar no sofá. Achei que aquilo tinha sido o mais difícil, depois vieram os treinos de musculação. Conheci músculos que nunca imaginei que tinha. Todos eles doiam infinitamente. Olha, a primeira semana é tensa!

Depois a gente vai meio que acostumando e quando não dói parece que não foi cumprida a meta. A gente naturalmente vai aumentando a intensidade. 

Não queria admitir mas a gente até gosta. A sensação de dever cumprido é maravilhosa e faz todo esforço valer a pena. 

E ajuda na hora de comer. A gente lembra das calorias perdidas marcadas no aparelho e repensa se vai valer se jogar naquele docinho fora de hora. 

Quando entrei, mesmo que pareça balela, eu não pretendia emagrecer. Minha meta naquele momento foi parar de engordar. Claro que depois de tanto esforço diário, posteriormente o desejo veio. E a passos de tartaruga os números começaram retroceder na balança e isso é muito bom!!! Em 3 meses foram 3kg. Muito lucro pra quem estava despretenciosa quanto a isso.

Chegaram as férias escolares das crianças e precisei fazer uma pausa pois na lista de prioridades, o cuidado deles vem antes de lembrar que também sou gente. Foram dois meses longe. Hoje retornam para as aulas e eu voltei pra onde não devia ter saído.

E olha, foi muito bom!

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04/01/16

“A gente colhe aquilo que plantou” é natural dizermos quando vemos alguém passar por um momento difícil. Só que quando é o nosso momento não pensamos bem assim. Então não vale nada colhermos se não percebemos que merecemos.  

Dia desses fiz um desabafo no blog sobre alguns fantasmas meus. O intuito era apenas soltar o que estava trancado em forma de texto já que em fala nunca pude. 

O que acontece é que agora meu pai precisa e eu não tenho como (e o mais relevante, não quero) ajudar.

Foram tantos anos pedindo incessantemente pra ele mudar e agora já são anos pedindo pra que aqui dentro é que tudo mude. 

Seria tão mais simples fugir. Sumir. Recomeçar em outro lugar seria menos sofrido do que viver aqui. Pena que estando longe, o problema não deixa de existir. Certeza que ei de me arrepender de não ter feito nada no futuro. Certeza que fazer estraga todo meu presente. 

Precisava era saber o que diabos é isso que estou colhendo…

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24/12/15

E nesses dias de festas, cá estou, sempre pensativa, sempre solidária aos menos favorecidos. Presentes e muitos deles de pessoas ausentes. Ou nada de todos os lados. Uns com tanta fartura, outros com miséria. Nem falo apenas de bens materiais. Principalmente de falta de paz do lado de dentro.
Da primeira infância a gente não lembra quase nada. Vou contar um pouco do que me lembro da minha até uns dez anos mais ou menos.

Lembro basicamente de viver em um casulo. Me proteger nele. Me esconder.

Lembro de um pai sempre bêbado. Uma mãe sempre chorando e deprimida pelos cantos. Um irmão que vivia camuflado também mas que se divertia me agredindo verbalmente em todas suas horas vagas. Exagerei um pouco, o pai não era sempre bêbado. O dia em que não bebia tinha suas dúzias de ataques epiléticos. Gritava, caia, se debatia, saia de si, depois voltava, voltava ao normal, que era beber. E quando bebia depois do remédio ficava muito mais incontrolável. Tinha dia que era melhor acreditar que estava possuído por forças malignas, outros dias era melhor nem acreditar que existiam forças sobrenaturais nem do mau, nem do bem, porque viver ali parecia que só sendo abandonada pelo universo explicaria.

Todos os dias eram muitas orações para que aquela realidade mudasse. O grande vilão era a pinga. As vezes a cola. Horas trancafiado no banheiro e a gente sentindo por tabela, e depois aguentando a loucura que aquilo causava. Não dava pra ver que era uma cabeça perturbada. Nem podia. A dor cega o discernimento da gente. E uma criança lá tem como saber dessas coisas complexas!? Não né! Nem adulto entende…

A grana escassa, vida sem luxo, quase sem o básico, pegar a migalha e dividir. Apesar de pesado, essa parte era a que menos doía. Doía sim, claro! Não ter o que as pessoas da escola tinham, repetir a mesma roupa todo dia na aula, a mesma pra sair, ficar em casa, ir na missa. O mesmo calçado. Sempre era o que sobrava do irmão. A mochila reciclada nunca com tema de menininha. Os dias pós festas eram pesados. As conversinhas na classe de quantos presentes cada um ganhou, quantos ovos de páscoa, quantos passeios nos fins de semana. Os nossos eram ir buscar o pai caído bêbado em alguma esquina do bairro e torcer pra nenhum colega da classe ver. Mesmo assim viam. O “eu vi seu pai caído bêbado” era recorrente. 

Lembro de desejar o estojo da menina do lado, de não gostar do cabelo curto e da franja torta que minha mãe cortava. De desejar um dia ter dinheiro pra gastar na hora do recreio. E de ser conhecida na escola por “irmã do Etienne”, quase nunca pelo meu nome (sim, esse é o nome do meu irmão, sim ele é mais velho um ano, sim sempre estudamos na mesma escola). Aquela redação de como foram as férias causavam calafrios.

Lembro de quase nunca sair. E quando saia tinha que ser múmia. Não podia fazer bagunça, não podia aceitar nada que oferecessem mesmo que a barriga implorasse, tinha que a mãe autorizar antes. Os filhos dela tinha quem ser exemplo de educação. Eram beliscões e tapas bem dados na boca caso a abrisse. Tinha q ficar sentadinha enquanto ela conversava com as amigas e desabafava o que vivia naquela casa. Eram horas intermináveis. Depois correr pra casa porque quando o dono chegava tinham que estar todos ali. A maioria das vezes mudos. Conversas não. Eu nunca soube conversar. Além da timidez, da introspecção, o que ouvia eram só agressões de um, choro da outra e bullying do outro. Meu irmão sempre foi o queridinho. A mãe nunca fez questão de esconder e ouvia quase diariamente a história das duas filhas que morreram nas gestações, do menininho que veio desejado e da gravidez final não planejada. O irmão amava ressaltar que eu “não devia ter nascido”, que “não servia pra nada”, que “nem abrir a boca eu sabia”, que era um “estovo”, dai por diante. Algumas vezes entrava por um ouvido e saia pelo outro. Muitas entrava, fazia um estrago devastador aqui dentro e se perdia nunca saindo do outro lado. 

Lembro daquela maldita garrafa de cavalinho escondida na cozinha. Da vontade que tinha de jogar pelo ralo enquanto ele não estava. E do pavor que tinha quando tinha que ir no bar comprar mais. O irmão que quase sempre ia mas sobrava também pra mim. Era tenebroso o medo de perder as moedinhas no caminho. Pior ainda era entrar naquele lugar, nem raciocinava, torcia pra aquele momento acabar logo e voltava com ódio daquilo que carregava e sem coragem de tacar no chão. 

Muitas e muitas agressões verbais. Chamava minha mãe de lixo, de inútil, de tudo. Se vangloriava de por dinheiro dentro de casa. Fazia questão de dizer sempre que aquela comida quem comprou foi ele, aquele teto, aquela roupa…

“Quem manda aqui sou eu!” ecoava aos quatro cantos todo o tempo. As noites eram dolorosas também. Dividíamos o mesmo quarto e ouvíamos o que não devia. 

Não podia levantar da cama. Deitava repetindo ate pegar no sono “eu não vou querer fazer xixi”. E quando acordava tinha que esperar a mãe levantar primeiro, nunca cedo. Pode ser que eram minutos mas pareciam horas intermináveis rolando na cama esperando poder sair. 

O que lembro de natais só são coisas pesadas. A vontade de comprar coisinhas novas, vontade de ganhar presente. Qualquer roupa que a gente comprava no ano tinha que guardar e só usar no natal. Lembro de um tênis presente te de uma tia, que coisa mais maravilhosa, devia ser o meu primeiro na vida que eu era primeira dona. Guardei por uns três meses, todo dia ia na caixa olhar querer calçar mas não podia, quando finalmente pude, estava apartado. Doía o pé, tive que usar assim mesmo, não podia perder. A música do Raul “Sapato 37” fazia muito sentido. Por falar em música, meu pai amava ouvir no último volume, os vizinhos piravam. Imagina a gente trancafiada em casa com a música explodindo e um bicho solto querendo nos devorar. Só alegria. 

Vontade de ter ceia como via na tv, nunca fomos próximos da maioria dos familiares, tias, primos. E quem é que queria fazer parte daquela loucura!? Cada qual fazia o que lhe convém, fazer de conta que não enxergam. Ninguém lia nosso pedido de socorro no olhar.  

Vontade de não viver aquele almoço que quase sempre acabava igual. Com ele bêbado, com as agressões, com pratos espatifados no chão, com tigelas de comidas jogadas na parede (aquelas raras, que quase nunca tinha o restante do ano), um louco caído no chão brisado de tudo, a mãe deprimida catando a sujeira, eu e meu irmão apavorados enfiados cada qual em seu casulo. 

O único no mundo que vestiu as mesmas sandálias que eu. Não trocávamos palavras. Nos entendíamos pelos olhares. Um refletia e a dor do outro. E é assim até hoje. Crescemos mas carregamos a bagagem na alma. Sobrevivemos! Tentamos viver mas aquilo ainda grita por dentro. Cicatriza, para de sangrar mas ainda assombra. Agarramos nossos filhos e vivemos um dia de cada vez. Lutamos a todo momento pra sair da casca. E refazemos mentalmente um plano pra esquecer e sobreviver a cada dia. 

E pra não dizer que não tenho lembranças boas, tem uma brincadeira que fazia com meu irmão. Era contar os dias que o pai não bebia. Agradeciamos a Deus no fim do dia. Pedíamos mais um dia a cada manhã. Nunca durou mais que os dedos das mãos pudessem contar. Sempre sobrou dedo. 

Outra hora escrevo das outras fases. Ou fezes. Da na mesma.

Ah, deixa eu vestir a roupa de socializar [Apesar de tudo] Temos que ver sempre o lado bom da vida! 
Feliz natal! 

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03/12/15

Acabei de voltar de uma reunião de pais da escola do Davi. Semana passada fui na do Benjamin e nos próximos dias deve ter na da Giovanna.Cada um com uma idade, três escolas diferentes. Uma reunião trimestral e algumas extras.

Como é bom esse privilégio que o trabalho informal me proporciona. Clt é bem mais delicado. Sinto falta de 13º e férias mas nada paga acompanhar de pertinho cada fase de desenvolvimento da minha riqueza. Minha juventude não volta. Dei uma pausa ao meu eu e as vezes parece que estou o matando. As vezes enxergo que estou o alimentando e quando quiser o libertar, será incrível. Fortificado, maduro, experiente, sábio… Grãozinho por grãozinho. Vida que segue!

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22/08/2015

Quanto se gasta com babá

Faxineira

Cozinheira

Educação

Saúde

Diversão

Quanto se gasta com salão

Nutricionista

Academia

Dentista

Dermatologista

Oculista

Ginecologista

Psicólogo

Psiquiatra

Internação

Quantas roupas de etiqueta tem em meu armário

Quantas jóias

Quantas viagens

Quantos passeios

Quantos jantares

Quantas conversas

Quanta amizade

Quanto companheirismo

Quanto afeto

Quanta importância

Quanto vazio

Quanta solidão

Quanta prioridade

Quanta vontade

Quanto desejo

Quantos zeros

Muitas mudanças

Muita indiferença

Muita falta de dois ser um

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17/06/2015

É tudo fase!

Tudo passa!

Falando de uma coisinha corriqueira.

Por muito tempo só usava esmalte clarinho, branquinho, transparente.

Era por causa do trabalho. Clínica média, precisava. E acostumei. Até gostava.

Sai do emprego e daquele gosto.

Vieram os coloridos clarinhos e em seguida os coloridões.

Depois a fase do rosa. No mínimo dez tons de rosa. Cheguei fazer mês só de rosa. Toda semana seguida. Sem repetir. Sem parecer igual.

Então a fase vermelho. Uns vinte tons. Parece impossível para leigos mas garanto que não. Tem diferença. Ah se tem! Tem mesmo!

A caixinha chegou a cem. E passou. As limpezas dos vencidos e passados eram constantes. E as visitas à perfumarias mais ainda. Dúvidas, dúvidas, dúvidas. Dificil escolher quando se quer levar quase todos.

Dai chegou o dia em que parei em frente as vastas prateleiras e nenhum agradou. Peguei ao menos dois repetidos pra não sair sem nada da loja. Que disfeita. Nem pensar!

Ah, devia estar num dia ruim. Na próxima visita volto ao normal.

E não. Nada agradou novamente.

E de novo.

Aquele lugar que era o paraiso deixou de ser. E os nudes reinaram.

O que era bom, excelente, divino, simplesmente não faz mas diferença nenhuma. As unhas continuam esmaltadas semanalmente. Mas o furor passou. A prioridade, a necessidade de inovar, de arrazar passou.

Passou como tudo passa.

Como a alegria.

E como a dor.

Ainda bem!