07/01/18

Há alguns dias, em um daqueles reflexivos, num momento utópico onde temos certeza absoluta em um determinado assunto, decidi que eu tinha nascido era para ficar sozinha.
Esse era um desejo desde sempre. Desde que me lembro de existir. De pensar. Talvez seja por isso mesmo. Por pensar.
Não compreendia a complexidade das relações humanas. Se relacionar é extremamente complicado.
Via o casamento dos meus pais. O fiasco que era aquilo. Abusivo. Principalmente psicologicamente. Não havia sororidade em mim naquela época.
Vivia na base da cadeia e sofria com machismo selado. Meu irmão, rei soberano. Eu, filha não desejada, caçula, mulher, ousando pensar fora da caixinha. Ultrajante!
Naquela tradicional família brasileira, em vez de uma equipe, eram um pai alucinado de um lado, a mãe e o filhinho unidos por serem bem parecidos, e eu. Eu me sentindo sempre parte de lugar nenhum.
Cresci com o objetivo nada latente de sair o quanto antes daquela realidade.
A escolha acadêmica deveras. Tudo bem definidinho na minha cabeça. Onde ia trabalhar, onde ia estudar e onde ia morar. Geograficamente não, mas sabia que era num loft. A ideia do dormitório ali no centro, com tudo ao alcance dos olhos, espaço e liberdade para apenas uma pessoa. Acesso totalmente restrito a poucas e breves companhias.
Acabou saindo tudo do programado! E foi totalmente o oposto.
O estudo não desenrolou. O emprego foi o que apareceu. A independência até que veio, só que primeiro um furacão, depois a prioridade nunca mais foi no meu eu, nas minhas vontades. Ah, aqui foi onde entrou a maternidade.
Dificuldades nos relacionamentos amorosos, nos afetivos, no próprio! Um leque bem variado de insucessos. Bagunça fora, bagunça dentro. O reconhecimento da necessidade de arrumar a bagunça de dentro primeiro. E a inconstância de vitória nesse processo.
Pois bem. Já aceitando a condição, analisando a estimativa do período em que não poderia me realizar e encarar a fobia social continuamente, me surge uma viagem. Viagem essa só com pessoas queridas. 4 dias “confinados”. 11 pessoas e um cachorro. Eu, meus 3 filhos, minha mãe, uma prima/irmã, tio, tia, duas primas e o irmão da tia. Os anfitriões mais amáveis que conheço. Nítida a alegria e realização daquele homem em estar rodeado de gente. Ele acolhe e aconchega sem precisar de muitas palavras. Transparece! Ela, uma fortaleza, um porto seguro. Sua dedicação com seus familiares só é menor que a dedicação ao irmão que demanda cuidados específicos. Aquela mãe bem caricata, leoa, feroz, poderosa! As duas filhas mulheres empoderadas, inteligentes, dedicadas. Lindas de todas as formas. A prima/ irmã, um coração do tamanho do mundo. Aquela pessoa pau pra toda obra. Uma das minhas preferidas do universo. Até a cachorrinha é super especial. Um dengo, um doce! Junto minha mãe, que mesmo com as faíscas que produzimos periodicamente, não vivo sem. Extensão de mim. E os filhos, eu todinha. Parte de mim. Órgãos vitais.
No final, um coração quentinho, quentinho. E recarregado. Fé na humanidade. E nas relações afetivas. Mesmo que seja só por hoje. Esse hoje está mais leve e feliz. Obrigada! <3

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