10/10/17

Hoje era um daqueles dias que a gente tem mil coisas pra resolver na rua. Precisava ir em dois bancos, comprar um chinelo pra um filho, pijama pro outro, comprar enchimento pra fazer os presentes das professoras (esse com urgência pois ainda tinha que confeccionar duas peças até o final do dia! e consegui!), comprar lanchinhos para o piquenique de um, passar na escola do outro pra acertar o passeio, comprar uma garrafinha, ir no açougue e no mercado. As quarto últimas deixei pra amanhã. A contra gosto. Fiz o que deu antes do meio dia que é quando um chega da escola. A tarde empenhei nos presentinhos.

Acordei. Mandei os meninos pra escola. Tomei café. Uma horinha de costurices. Fui me arrumar pra sair. Peguei uma bermuda. Troquei por uma calça. Peguei uma sapatilha. Troquei pelo tênis.

Peguei os fones de ouvido. Mudei de ideia na saída. Ida ao banco requer atenção dobrada ao movimento. Três detalhes bobos que me soaram como intuição. Ouvi. Obedeci.

Andei uns 300 metros e plaft. Levei um tombo ridiculamente bobo. Fazia muito tempo que isso não me acontecia. Ali no meio do movimento, pessoas passando, ônibus com uma boa plateia, funcionários trabalhando. Vergonha imensurável. Uma doce senhora me ajudou levantar, limpar a roupa e me situar.

Aquele segundo entre virar o pé e me estatelar no chão passou em câmera lenta. Em um piscar de olhos, pude ouvir com o coração, a voz de um amigo me chamando de “Quedinha”, apelido carinhoso que me deu, imagina-se o porque. Eu era muito boa em cair. Na rua, no transporte, no shopping. Não podia ver uma vergonha que já queria passar. Não sei explicar, acontecia. Com frequência. Fiquei em dúvida se voltava pra casa pra chorar em paz. Não seria prudente protelar todos os afazeres. Um riso frouxo se apoderou e segui em frente. Trouxe várias lembranças. Visitei o passado. O coração transbordou de ternura. Vi muitas pessoas que fizeram parte de um bom pedaço da minha vida. O sorriso me acompanhou todo o caminho. Junto das boas memórias.

Lembrei-me da época do meu primeiro emprego. Era uma menina com 16 anos. Começou com um estágio de um micro salário. Eu achava o máximo desbravar as ruas da cidade. E ir pra escola depois do trabalho. Me sentia importante. Convivi com tantas pessoas incríveis. Claro que tinham as pedras nos sapatos, porém hoje só me amarrei nas que tocaram e mudaram de alguma forma positiva a minha vida. Fiquei 5 anos lá. Já fazem quase 12 que sai. Ainda mantenho algumas boas amizades. Outras amizade permanecem no catálogo das redes sociais. Outras daria tudo pra encontrar novamente. Mesmo que fossem só nas redes, só pra acompanhar de longe suas aventuras.

O joelho inchado e ralado funcionou muito bem nas 3 horas de caminhada. Tenho impressão que foi o coração aquecido. Depois quando repousei é que senti a dor. Dor essa que pouco importa. O risinho da manhã ainda está grudado no meu rosto. Assim como as memórias. Enquanto eu respirar, vou ser grata a todos vocês <3

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